August 24, 2026
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No retrato mais recente do AI Spend Monitor, 15 de cada 100 dólares gastos com inteligência artificial pelas empresas observadas pela Clara foram destinados a Cursor, Lovable e Replit. Considerando o conjunto de indústrias da base, as três plataformas somadas já movimentam quase o equivalente à participação da OpenAI, de 16,9%.
A comparação não transforma o vibe coding em um fornecedor único. Ela revela o tamanho financeiro que a categoria alcançou. Ferramentas especializadas em criar software com IA deixaram de ser uma aposta periférica para desenvolvedores e passaram a disputar uma parcela relevante do orçamento corporativo.
O Cursor lidera esse movimento. Sozinho, concentra 10,5% de todo o gasto com IA registrado no período. A Lovable responde por 3,6% e o Replit, por 0,9%. Juntas, as três plataformas formam o principal bloco de aplicações especializadas fora dos grandes modelos de linguagem.
Mais empresas pagam pela Lovable do que pelo Cursor. Mesmo assim, o gasto total com Cursor é quase três vezes maior. Em termos simples, a Lovable chega a mais companhias, mas o Cursor movimenta mais dinheiro entre as empresas que atende.
Uma possível explicação está na maneira como essas ferramentas entram no trabalho. A Lovable permite criar sites e aplicações por meio de comandos em linguagem comum, o que reduz a barreira para começar. O Cursor funciona como um ambiente de programação usado durante o desenvolvimento. Se mais integrantes de uma equipe passam a utilizá-lo, ou se ele se torna parte da rotina de vários projetos, a conta da empresa tende a aumentar. Os dados não mostram quantas licenças ou projetos existem, mas a diferença entre adoção e gasto é compatível com esse tipo de uso mais intensivo.
A evolução de Codex e Claude poderia diminuir a necessidade de ferramentas separadas, já que esses produtos também ajudam a escrever código. Mas Cursor e Lovable oferecem mais do que a geração de uma resposta. Eles organizam o processo de criação dentro de um produto específico. Para uma empresa, pode haver diferença entre pedir a um modelo que escreva um trecho de código e usar uma plataforma concebida para transformar uma ideia em software. É esse espaço entre gerar código e construir um produto que as plataformas de vibe coding tentam ocupar.
Os dados mostram que essa proposta encontra compradores. Cursor, Lovable e Replit ainda alcançam uma parcela limitada das empresas, mas sua participação no gasto é muito maior que sua presença sugeriria. Em programação, uma base relativamente pequena de clientes intensivos já é suficiente para formar um mercado relevante.
É justamente essa combinação entre adoção limitada e gasto elevado que merece atenção dos times financeiros. Uma empresa pode pagar pelo modelo e, ao mesmo tempo, por uma ou mais plataformas que facilitam seu uso. O risco não está apenas no preço de cada assinatura, mas na sobreposição de ferramentas com funções semelhantes, contratadas por equipes diferentes. Acompanhar o gasto por fornecedor, a quantidade de licenças e a concentração do uso ajuda a distinguir uma ferramenta incorporada à operação de mais uma assinatura acumulada na pilha de software.
A disputa, portanto, não se resume a qual empresa oferece o modelo mais capaz. Também envolve quem controla o ambiente no qual esse modelo se transforma em trabalho. Para os fornecedores, é uma disputa por espaço no processo de desenvolvimento. Para as áreas financeiras, é uma nova categoria de gasto que já se tornou grande demais para passar despercebida.